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Home Sustentabilidade ESG

Finanças Verdes: um mercado em consolidação

Carlos Costa by Carlos Costa
junho 30, 2021
in Sustentabilidade ESG
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Finanças verdes, um mercado em consolidação

O mercado de finanças verdes segue se consolidando dentro do cenário mundial.

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O investimento consciente e as finanças verdes vêm, cada vez mais, ganhando espaço nas pautas de discussões dos agentes econômicos. Em alguns países as ações estão relativamente avançadas, como no Reino Unido, por exemplo, onde a Bolsa de Valores é usada como espaço para negociação dos chamados títulos verdes.

Seguindo essa tendência, o Brasil tem avançado nas iniciativas dentro do setor empresarial, impulsionando e incentivando o empresariado e investidores a levarem em consideração os impactos socioambientais das corporações na gestão de resíduos, na sustentabilidade na cadeia produtiva e a oferta de produtos que sejam ecologicamente projetados.

Veja neste artigo:

Índice

  • Definição de Finanças Verdes
  • Como enquadrar investimentos
  • O que deve ser considerado
  • Incentivo aos investimentos em sustentabilidade
  • Complexidade sobre as finanças verdes

Definição de Finanças Verdes

A nomenclatura finanças verdes é atribuída às iniciativas dos mercados financeiro e de títulos ou empréstimos e referem-se às ações voltadas a projetos que tenham impactos ambientalmente sustentáveis.

Esta é a definição que segue a diretriz do Grupo de Finanças Sustentáveis (FSB, na sigla em ingês) do G20 e, dentro deste conceito, podem ser mencionados os investimentos em energia renovável, saneamento básico, mobilidade e usos de recursos naturais.   

Em paralelo, as ações de governo, das empresas privadas e de alguns bancos vêm agindo em um movimento espontâneo para financiar investimentos que possam ser enquadrados como finanças verdes.

Como enquadrar investimentos

O FSB, através de seu braço, Task Force On Climate-Ralated Financial Disclosures (TCFD), publicou em 2017 uma série de recomendações para que empresas e instituições financeiras divulgassem informações a respeito dos impactos financeiros das mudanças climáticas provenientes de seus processos produtivos, bem como as oportunidades de negócios ocasionados, o que significa que as partes devem divulgar o que fazem em termos de gestão de riscos, estratégias, métricas e metas e governança.

A TCFD estabeleceu um cenário para implementação das recomendações até 2022, o que, em conjunto com outras iniciativas como a implementação das metas de redução da emissão de gases de efeito estufa pelo Acordo de Paris, tem estimulado os governos a tomarem iniciativas para regulamentações e imposição de ações para atingir estas metas.

Diante deste cenário, o volume de transações no mercado global de dívida sustentável e títulos passou de USD 109,7 bilhões em 2016 para USD 319,8 bilhões em 2019, de acordo com o relatório preparado pelo órgão alemão GIZ.

Entretanto, o mercado de finanças verdes ou créditos verdes carece ainda de uma definição padronizada do que deve ser considerado como verde.

O que deve ser considerado

Em 2020, a União Europeia publicou a sua taxonomia com critérios baseados em objetivos de mitigação de gases de efeito estufa. Nessa linha, o Banco Central do Brasil (Bacen) divulgou a sua agenda sustentável, disponibilizando para consulta pública a relação de aprimoramentos para a regulação sobre riscos socioambientais nos bancos e novas regulações para divulgação de informações em linha com as recomendações da TCFD.

Entre 2016 e maio de 2020, o Brasil já tinha emitido em títulos verdes ou empréstimos, cerca de USD 6 bilhões. Boa parte das operações está concentrada na emissão de títulos ou debentures nos setores de energia renovável, infraestrutura e papel e celulose, de acordo com o relatório do órgão alemão GIZ (Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit).

Quadro de eixos de trabalho do projeto de cooperação Brasil-Alemanha
Cooperação Internacional: Brasil e Alemanha assinaram em 2018 o Green Finance – projeto de cooperação técnica de Regulação do Mercado para Financiamento Verde e de Títulos Verdes. O projeto tem orçamento previsto de quatro milhões de euros e duração prevista de três anos e meio. (Fonte: Ministério da Economia, Cartilha de Finanças Verdes no Brasil, ano 2019)

Entretanto, existe espaço para crescer o uso dos instrumentos de crédito verde através de vários produtos. Um exemplo é o uso de CRAs, instrumento de renda fixa lastreados em recebíveis emitidos por produtores rurais e que pode ser destinado para financiar investimento atividades agrícolas de baixa emissão de carbono.

Juntamente com os produtos de crédito, outros instrumentos podem ser agregados como forma de desenvolver o potencial de negócios com relação a empresas que não têm acesso ou grandes montantes para emissão de títulos.

Um exemplo seria o seguro ou a securitização de recebíveis. Ao mesmo tempo abre-se mais espaço para a atuação de outros agentes, como as fintechs e as startups, através de novas propostas de financiamentos ou apoio em modelos de negócios.

Nesse sentido, as finanças verdes abrem espaço para outros setores da economia que deverão ser incorporados as taxonomias (definições) como atividades elegíveis a financiamentos verdes, bem como é cada vez mais importante, para todos os participantes – do financiador ao stakeholder – que os negócios sejam apresentados ao mercado como sendo, de fato, investimentos ambientais, e não serem vistos como “greenwashing” ou “lavagem” quando se usa o conceito apenas para marketing.

Além disso, as exigências da logística de transporte, as mudanças na regulamentação, o mercado consumidor, entre outras partes da cadeia dos produtos passam também a serem observados com cuidado, sendo importante associar a avaliação do financiamento aos possíveis beneficiários, sendo um papel do agente alertar e avaliar com o cliente estes impactos.

O crédito verde, portanto, é fundamental, mas não é o único fator de incentivo aos investimentos.

Incentivo aos investimentos em sustentabilidade

À medida em que a avaliação da empresa passa por métricas de governança e dos impactos sociais, os agentes financeiros passam também a considerar quais são os impactos que cada elo da cadeia de negócios de uma empresa ou setor enfrentam.

Desse modo, amplia o conceito de finanças verdes para o de finanças socioambientais e engloba o conceito de transição para um modelo sustentável por completo, o que é claro, também depende de uma definição de um arcabouço regulatório coerente, conforme levantado pelo GIZ.

Em conclusão, as finanças verdes fazem parte de um sistema complexo.

Complexidade sobre as finanças verdes

A complexidade (Mariotti, 2010) não é apenas definida pelo número de partes – neste caso existem vários stakeholders envolvidos, como governo, financiadores, investidores – de que compõe um sistema, mas pela interação entre elas.

Para que pensemos na consolidação definitiva deste mercado, será preciso detalhar a regulação, atrair mais investidores, criar inovações ou combinações de produtos para crédito e inserir ainda mais o conceito de sustentabilidade nas empresas.

Enfim, cabe, através de redes de apoio entre os diversos stakeholders, criar a dinâmica necessária para consolidar o mercado de finanças verdes.

Tags: consolidação de mercadofinança verdefinanças verdesSustentabilidade
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Carlos Augusto B. Costa é Sócio-proprietário da CBarros Costa Consultoria Ltda. Trabalhou por mais de 30 anos no mercado financeiro em bancos como Lloyds Bank, ABN AMRO Real, Santander e Sumitomo. Nos últimos 13 anos atuou em Trade e Commodity Finance, bem como operações estruturadas de exportação e importação e financiamentos multilaterais.

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